Governo do Distrito Federal
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13/06/19 às 17h59 - Atualizado em 13/06/19 às 18h00

Celebração afro-brasileira Bembé do Mercado é o mais novo Patrimônio Cultural do Brasil

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) concedeu o registro do Bembé do Mercado de Santo Amaro, na Bahia, no Livro de Registro das Celebrações como Patrimônio Cultural do Brasil. É a primeira celebração de matriz africana registrada pelo IPHAN. A festa pela liberdade que acontece em Santo Amaro (BA) foi avaliada e aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, nesta quinta-feira, 13 de junho.

 

O Bembé do Mercado é uma festa que acontece todos os anos na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Reunindo mais de 40 terreiros na feira da cidade, a festa é conhecida como o maior candomblé a céu aberto do mundo. A primeira celebração aconteceu há 130 anos, em 1889, um ano depois da abolição da escravatura. Desde então nunca deixou de acontecer.

 

De acordo com o subsecretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial da Sejus, Juvenal Araújo, a celebração da liberdade através do Bembé do Mercado começou em maio de 1889, para festejar o primeiro ano da abolição da escravatura e permanece ativo até os dias de hoje, como evento que não apenas resiste ao tempo, mas mantém a essência da população local.

 

“Nós, da Secretaria de Justiça e Cidadania, através da Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial, além de darmos todo o apoio institucional aos religiosos do estado da Bahia, parabenizamos o Iphan e toda a população das religiões de matriz africana do Recôncavo Baiano e do Brasil por essa grande conquista”, disse. Para ele, “a titulação premia a luta pela liberdade e a resistência dos povos negros”. A Sejus apoiou em Brasília os líderes religiosos do estado da Bahia com a estrutura de transporte, alimentação e hospedagem.

 

O pedido para Registrar a celebração foi apresentado ao Iphan pela Associação Beneficente e Cultural Ilê Axé Ojú Onirè no ano de 2014.

 

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, explicou que “a celebração compreende uma multiplicidade de sentidos, a ser entendida e vivida de várias maneiras, sendo capaz de se integrar às histórias de vida de seus agentes entre si, na cidade e para fora dela, e por isso considerada uma celebração única. É fonte de sabedoria, de ciência, de memória, de diplomacia, de zelo e, mais do que tudo, é uma possibilidade única – como a festa – de formação de identidade”.